"Convivendo com os Animais e os Micróbios" - Oficina de Teatro

Sempre que uma criança coloca seu talento a serviço do mundo, cresce a esperança de uma vida melhor

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Sempre que uma criança coloca seu talento a serviço do mundo, cresce a esperança de uma vida melhor.

MICA 23 anos

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Origem do MICA


Movimento Infantojuvenil Crescendo com Arte

“Uma experiência de vida”

            Em 1992, motivada pelo interesse de minha filha Juliana pela pintura, procurei oportunidades para expor seus trabalhos e deparei com muitas dificuldades e falta de incentivo à arte infantil. Resolvi então criar um grupo, que reunisse várias crianças em busca de espaço para expor suas mensagens artísticas.
            Juliana estava com 7 anos, e nunca se havia prendido por mais que alguns minutos a qualquer atividade. Porém, ao levá-la para participar de uma oficina de pintura no jardim de uma biblioteca, surpreendeu-me, ao ficar por várias horas tentando passar para a tela, cenas do jardim. E na 1ª Mostra da oficina foi premiada com a tela “O Gato e o Luar”.
            Para Juliana, dar as primeiras pinceladas numa tela, foi como verter água sobre a semente adormecida de uma grande árvore.
            Tal como a árvore, que rasga o ar com os ramos em busca dos melhores pontos de luz, Juliana, a partir da experiência com a pintura, diversificou o interesse pelas várias modalidades de arte, em busca de realização.
            Juliana, minha filha, tão ativa, curiosa, sonhadora, criativa, mas ainda tão pequena para escolher o melhor caminho. Segurando sua mão, tentei conduzi-la.
Mas, quem conduziu quem?
            De mãos dadas descobrimos que nos realizávamos no mesmo universo. “O Universo da Arte”. Visto apenas por ângulos diferentes.
           ... Juliana, além de pintar, desenha, toca piano, teclado e violão, participou de um coral, de três grupos de teatro, de oficinas literárias e aprendeu, praticamente, todas as modalidades de dança.
           ... Eu, planejo, organizo e coordeno exposições, apresentações, recitais, performances, workshops e oficinas de artes para crianças, jovens e adultos.
   E como resultado dessa afinidade nasceu o MICA 
 Movimento Infantojuvenil Crescendo com Arte
            Para chegar a todas as atividades que hoje o MICA realiza, os caminhos foram difíceis. Superei obstáculos, desde a falta de locais para expor os trabalhos  e desenvolver oficinas até o preconceito e desinteresse com a arte infantil.
            Quando eu levava minha filha para fazer as muitas atividades de arte, que ela mesma pedia, eu era muito criticada. Era acusada de que eu não lhe deixava sobrar tempo para brincar e estudar.
            Mas, o que eu vivenciei não foi um erro. Muito pelo contrário. A facilidade que Juliana passara a ter para fazer amigos e para assimilar todos os conceitos e aplicá-los era evidente.
            E, depois de criar o MICA, quantas surpresas eu tive com aqueles que passaram a participar:
            ...Há crianças que só conseguem expor suas emoções através da arte!
            ...Há jovens que descobrem seus verdadeiros valores  e ideais!
            ...Há pais que passam a conhecer melhor seus filhos !
            ...Há professores que descobrem e passam a desenvolver o potencial latente de seus alunos!
            Diante desses resultados, em pouco tempo, o MICA transformou-se numa ação independente, sem sede, sem patrocinadores, mas onde a vontade de centenas de crianças e jovens e de um grupo de professores voluntários, faz com que, a cada encontro, haja um diálogo na sintonia da arte.
Felizmente, com o passar do tempo, muitos diretores de espaços culturais passaram a acreditar na importância dos projetos do MICA e a confiar na seriedade de nosso trabalho voluntário e então, muitas portas se abriram.
            Eu não tenho formação em Artes. Cursei a Faculdade de Biologia e a Faculdade de Educação. Lecionei e fui coordenadora pedagógica em Escolas Públicas. Gostava muito do meu trabalho, no entanto, minha maior realização profissional aconteceu como voluntária na criação e coordenação do MICA. E estou consciente de minha pequena, mas efetiva, contribuição à sociedade.
            Ao fundar o MICA, criei oportunidades para que crianças e jovens façam arte, e que, muitas vezes, através de seus trabalhos, encontrem respostas para a vida.
            Mas, o MICA  não sobreviveria sem os conhecimentos e a atuação dos professores voluntários. São eles, munidos apenas com a vontade de ensinar e ajudar, que dão sustento e crescimento a ideia inicial.
            Minha filha foi a grande  motivadora e incentivadora. Ela me ensinou o que não aprendi na escola.
            Aos 12 anos, Juliana decidiu que sua realização estava na dança. Aos 14 anos foi selecionada para um Grupo de Dança. Estudou ballet e várias outras modalidades de dança em três escolas e formou-se em ballet clássico na Royal Academy of Dance. Sobre a pintura, onde tudo começou,  ela dizia:  “São os momentos em que encontro muita paz”.
            Foram muitos os prêmios que Juliana conquistou na dança. Participou por vários anos do Festival Internacional de Joinville. Em 2000, alcançou o privilégio de se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo, quando conquistou o 1º lugar no Enda - Encontro Nacional de Dança.  Comparou essa vitória como ir a uma Olimpíada e ganhar uma medalha de ouro.
Juliana dançou em muitos locais, os mais diversos. Dançou desde o impecável palco do Teatro Municipal de São Paulo ao asfalto do sambódromo, quando por 3 anos participou da Comissão de Frente da Escola de Samba X9 Paulistana.
            Nunca me preocupei se minha filha viria a ser uma artista. No meu entender, para se fazer arte, não é necessário tornar-se artista profissional.
            Mas sempre tive a certeza, porém, de que qualquer que viesse a ser a sua escolha no futuro, todas as atividades  que Juliana realizou na arte, desenvolveram muito o seu potencial criativo, contribuindo para o fortalecimento de sua personalidade e para torná-la emocional, social e intelectualmente mais segura.

Juliana, minha filha, formou-se em Educação Física, fez pós-graduação em “Atividade Motora Adaptada” para deficientes físicos, é personal trainer de pessoas com alguma necessidade física especial, dedicou-se ao ensino de ballet  para crianças e jovens com deficiências visuais e auditivas, foi voluntária do CIEDEF - Centro para Integração Esportiva do Deficiente Físico desde os primeiros anos de faculdade, depois de formada, foi voluntária de uma ONG de atendimento a crianças e adultos com deficiências e tornou-se árbitra do Comitê Paralímpico.  E, desde agosto de 2011, assumiu o cargo de Assistente Técnica no Comitê Paralímpico Brasileiro - CPB, em Brasília.

Hoje, 20 anos depois dos primeiros passos, faço a seguinte avaliação:
            O mais importante, em toda esta nossa história vivida, é que Juliana e as centenas de crianças e jovens que participaram e participam dos Projetos e das Oficinas do  MICA crescem felizes !
                                                                                                                            Maria José Soares